Carretera Austral – 5 Lugares que Você tem que Conhecer
A Carretera Austral, ou Ruta 7, é muito mais do que uma estrada: é um verdadeiro convite para explorar a essência da Patagônia chilena. São cerca de 1.240 km de extensão, começando em Puerto Montt e terminando na remota Villa O’Higgins, cortando regiões praticamente intocadas, com montanhas nevadas, lagos de águas cristalinas, rios caudalosos e cidades charmosas que parecem ter parado no tempo.
Construída a partir da década de 1970, durante o governo de Augusto Pinochet, a estrada teve como objetivo integrar regiões isoladas do Chile. Hoje, no entanto, ela se transformou em um dos destinos mais desejados por aventureiros e amantes da natureza.
Viajar pela Carretera Austral é se desconectar do ritmo acelerado da vida urbana e mergulhar em um mundo onde a natureza é soberana. Cada curva revela uma paisagem diferente, cada vila guarda histórias de pioneiros e colonos, e cada trilha leva a lugares que parecem saídos de um sonho.
Se você está planejando explorar esse trajeto fascinante, aqui estão 5 lugares imperdíveis que você tem que conhecer na Carretera Austral — além de dicas práticas para aproveitar ao máximo essa jornada.
1. Parque Nacional Queulat e a Geleira Pendurada
Entre os destinos mais famosos da Carretera Austral está o Parque Nacional Queulat, criado em 1983 e que abrange uma área de mais de 150 mil hectares de florestas temperadas. É aqui que fica o icônico Ventisquero Colgante, a Geleira Pendurada.
Imagine um glaciar suspenso no alto de uma montanha, com cachoeiras imensas que despencam do gelo derretido em direção ao vale. Essa visão hipnotizante é considerada um dos cartões-postais do Chile.
Mas o parque não se resume à geleira. Existem várias trilhas que permitem explorar a região:
- Sendero Ventisquero Colgante: trilha moderada que leva ao mirante principal da geleira.
- Laguna Témpanos: passeio de barco até o lago onde se refletem as montanhas e blocos de gelo flutuam na água.
- Sendero Bosque Encantado: trilha que leva a uma floresta densa e misteriosa, coberta por musgos e líquens.
Curiosidade: o nome Queulat vem da língua chono, e significa “som da água caída”, uma referência clara às impressionantes quedas d’água da região.
Dica prática: leve roupas impermeáveis, pois a área é conhecida por seu clima chuvoso durante boa parte do ano.
2. Lago General Carrera e as Capelas de Mármore
Com quase 2.000 km², o Lago General Carrera é o maior do Chile e o segundo maior da América do Sul. Suas águas de tons azul-turquesa parecem irreais e variam de cor conforme a luz do sol.
A grande atração são as Capillas de Mármol, um conjunto de cavernas esculpidas pela água ao longo de milhares de anos. As formações têm paredes de mármore que refletem a luz, criando um espetáculo natural de cores.
A base para visitar esse destino é a cidade de Puerto Río Tranquilo, onde é possível contratar passeios de barco ou caiaque. Os caiaques, aliás, oferecem uma experiência mais intimista, permitindo se aproximar das cavernas e apreciar os detalhes das rochas.
Além das capelas, a região do lago oferece outras atrações, como:
- Rio Baker: o rio mais caudaloso do Chile, famoso por suas águas azuladas.
- Pesca esportiva: o lago é um paraíso para pescadores, com abundância de trutas e salmonídeos.
- Miradores: pontos de observação espalhados pela estrada revelam paisagens de tirar o fôlego.
Curiosidade: em 2011, o Lago General Carrera foi palco de grandes manifestações contra a construção de represas na região, em defesa da preservação ambiental.
Dica prática: os melhores horários para visitar as capelas são pela manhã, quando a luz do sol entra nas cavernas e intensifica as cores da água.
3. Vila de Caleta Tortel
Se existe um lugar que desafia qualquer noção de “cidade tradicional”, esse lugar é Caleta Tortel. Fundada em 1955, essa vila de pescadores é conhecida por suas passarelas de madeira que substituem ruas e calçadas. Não há carros circulando: tudo é feito a pé, por entre as estruturas suspensas que ligam casas, praças e cais.
Cercada por montanhas, rios e fiordes, Caleta Tortel transmite a sensação de isolamento, mas também de encantamento. É como se o tempo andasse em outro ritmo ali.
Entre os atrativos da vila estão:
- Museu da Cultura de Aysén: onde se pode aprender sobre a colonização da região.
- Passeios de barco: que levam os visitantes até o delta do Rio Baker.
- Culinária local: pratos à base de peixes e mariscos frescos são imperdíveis.
Curiosidade: Caleta Tortel foi construída dessa forma peculiar porque, durante décadas, o acesso terrestre era extremamente limitado. Só em 2003 a vila foi conectada à Carretera Austral.
Dica prática: passe pelo menos uma noite na vila. Caminhar pelas passarelas iluminadas à noite, com vista para as montanhas, é uma experiência única.

4. Parque Nacional Cerro Castillo
Menos famoso que Torres del Paine, mas igualmente impressionante, o Parque Nacional Cerro Castillo é considerado um dos melhores lugares do Chile para trekking.
O ponto alto é a Laguna Cerro Castillo, uma lagoa glacial aos pés de montanhas pontiagudas que lembram torres ou castelos medievais. O visual é de tirar o fôlego, e muitos visitantes comparam a experiência às trilhas dos Alpes europeus.
As opções de trekking variam de caminhadas curtas até travessias de vários dias:
- Trilha Laguna Cerro Castillo: cerca de 13 km ida e volta, com subidas desafiadoras.
- Travessia Cerro Castillo: 4 dias de caminhada atravessando vales, florestas e glaciares.
Além da natureza, o parque também tem importância arqueológica, com pinturas rupestres de mais de 3 mil anos deixadas pelos povos nômades Tehuelches.
Dica prática: leve bastões de caminhada, roupas para frio intenso e bastante água.
5. Villa O’Higgins e o Fim da Carretera Austral
A última cidade da Carretera Austral é Villa O’Higgins, fundada em 1966 e conhecida como “o fim da estrada”.
A cidade é cercada por rios, lagos e glaciares, e serve como ponto de partida para passeios inesquecíveis:
- Navegação no Lago O’Higgins: o maior lago da região, famoso pela sua coloração esverdeada.
- Glaciar O’Higgins: com mais de 80 km de extensão, é uma das maiores geleiras do Campo de Gelo Sul.
- Travessia até El Chaltén (Argentina): rota para quem deseja continuar a viagem pela Patagônia.
A sensação de chegar a Villa O’Higgins é indescritível. É como se o viajante realmente tivesse alcançado o fim do mundo, em um lugar remoto e autêntico.
Curiosidade: o clima da região pode ser extremo, com fortes ventos e chuvas frequentes.
Dica prática: planeje sua estadia com antecedência, pois a oferta de hospedagem e transporte é limitada.

Dicas Práticas para Explorar a Carretera Austral
- Melhor época: de novembro a março, quando os dias são mais longos e as estradas em melhores condições.
- Transporte: carro alugado (preferencialmente 4×4), motorhome ou até bicicleta para os mais aventureiros.
- Balsas: em alguns trechos, é necessário usar balsas para cruzar fiordes. Reserve com antecedência.
- Hospedagem: desde pousadas familiares até cabines rústicas. O campismo também é muito popular.
- Planejamento: leve dinheiro em espécie, pois muitas localidades não possuem caixas eletrônicos.
- Conexão: o sinal de celular e internet é limitado, o que torna a viagem ainda mais desconectada e autêntica.
Tabela Comparativa – 5 Lugares da Carretera Austral
| Lugar | Principal Atração | Experiência Imperdível | Nível de Aventura |
|---|---|---|---|
| Parque Nacional Queulat | Geleira Pendurada | Trilha até o mirante | Moderado |
| Lago General Carrera | Capelas de Mármore | Passeio de barco/caiaque | Leve |
| Caleta Tortel | Vila sobre passarelas de madeira | Caminhar pelas passarelas | Leve |
| Parque Cerro Castillo | Laguna e montanhas nevadas | Trilha até a Laguna | Alto |
| Villa O’Higgins | Glaciar O’Higgins | Passeio de barco no lago | Moderado |
FAQ – Perguntas Frequentes sobre a Carretera Austral
1. Qual a melhor época para visitar a Carretera Austral?
A melhor época é entre novembro e março, quando há menos chuva e as estradas estão mais acessíveis.
2. Preciso de carro 4×4 para percorrer a estrada?
Não é obrigatório, mas facilita em trechos de rípio e estradas de terra.
3. Quantos dias são recomendados para explorar?
O ideal é entre 10 e 20 dias, dependendo do ritmo e das paradas.
4. É possível visitar sem guia?
Sim, a maioria dos viajantes percorre a estrada por conta própria. Porém, para atividades específicas como trekking ou navegação, é recomendável contratar guias locais.
5. A Carretera Austral é segura?
Sim, é considerada um destino seguro. O maior cuidado é com as condições climáticas e de estrada.
Conclusão
Viajar pela Carretera Austral é embarcar em uma jornada única, onde cada quilômetro guarda uma nova surpresa. Entre geleiras suspensas, lagos cristalinos, vilas encantadoras e montanhas majestosas, a estrada oferece uma experiência transformadora para qualquer viajante.
Seja para quem busca aventura ou para quem deseja apenas contemplar paisagens de tirar o fôlego, a Carretera Austral tem um lugar especial reservado.
